"Lírios brancos para a Marquesa", espetáculo teatral que revive os tempos do Brasil Império e leva ao Museu do I Reinado, no Bairro Imperial de São Cristóvão, a influência histórica desta incrível personagem que é Domitila de Castro e Canto Melo, a Marquesa de Santos.

Direção e texto original: Beth Araújo

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A favorita do Imperador



por VITóRIA, do blog Etc. e Tal
Também conhecido como Solar da Marquesa de Santos, o Museu do Primeiro Reinado realça seu valor histórico ao ser palco da encenação da vida de sua mais ilustre moradora, Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos.

Diretora Beth Araújo
Escrita por Beth Araújo, que também é atriz e dramaturga, a peça foi construída ao longo de cinco anos de pesquisa. De olho na encenação, Beth  visitou com freqüência o museu no intuito de adequar cada cena dentro dos respectivos salões do Solar.

Conhecida como "a favorita" do Imperador Pedro I, Domitila tinha personalidade forte e corajosa, uma mulher a frente do seu tempo. Assumiu seu romance com o imperador sabendo de todos os riscos que corria perante a sociedade da época.

"Lírios brancos para a Marquesa” é um trabalho desafiador, no qual Beth assina a direção e empresta seu grande talento de atriz à interpretação da personagem principal.

Muito generosa, Beth Araujo me concedeu essa entrevista:

O que suscitou em você a ideia de abordar o romance entre Domitila, a Marquesa de Santos e Pedro I Imperador do Brasil, por uma ótica até então desconhecida do grande público?

Na verdade, os bastidores do romance Pedro I e a Marquesa de Santos é quase que totalmente desconhecido do grande público, ele não faz parte da história oficial. A figura de Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos é quase uma lenda. Ao longo de aproximadamente cinco anos de pesquisa para construção do roteiro para o espetáculo “Lírios brancos para a Marquesa”, conclui que a história deveria ser contada pela própria Marquesa e seus fieis servidores.Realizando com isso uma reparação histórica, 182 anos depois dar voz a essa mulher. Ela que no espelho de outras que dominaram a realeza com seus encantos e virtudes pessoais, sofreram no furor das intrigas palacianas, o desrespeito a ingratidão e a luxúria de seus amantes coroados, e na constelação das amantes mais famosas seu nome se destaca entre as personagens da história do Segundo Reinado no Brasil.

Por que transformar a Casa da Marquesa de Santos em palco teatral? Como foi esse processo?

Sempre achei que o Museu do Primeiro Reinado – Casa da Marquesa de Santos - seria o lugar ideal, seria como voltar no túnel do tempo e trazê-la de volta ao belo Solar onde viveu sua história de amor. Luxo, beleza e conforto não faltaram para a Favorita do Imperador. Cada canto revela os momentos mais importantes do tumultuado romance. O público vai entrar na história percorrendo ao lado do alcoviteiro e irreverente Francisco Gomes, o Chalaça, os passos da história, ora contada pela Marquesa, ora narrada por seus escravos de confiança. Foi um longo e pensado processo, montado  como um quebra-cabeça, onde todas as peças precisam estar bem encaixadas. Texto, movimento, voz e personagens, tudo dentro de um cenário vivo. Valeu a experiência de já ter feito o primeiro espetáculo dentro de um Museu na cidade do Rio de Janeiro, Os Sonetos de Shakespeare, em 1991 no Museu da República. Um lindo trabalho que na época recebeu grande apoio da mídia.

Em que critérios foi baseado a escolha do elenco?

Os atores Will Robson e Milena Siqueira
Abrimos inscrição pela internet através do setor educativo do museu, e realizamos a seleção em duas etapas. A escolha dos atores foi determinada pelo tipo físico, teriam de ser atores negros para interpretar os escravos de confiança da Marquesa e narradores de sua história. Foram escolhidos os atores Will Robson (Firmino), Márcia Borges (Vicência) e Milena Siqueira (Eleutéria). O mercado infelizmente não possui tantos atores negros como deveria. Tive a sorte de encontrar atores com muito talento, vontade de investir na qualidade e na continuidade da carreira artística. No caso do ator Jorge Gaia, que interpreta a personagem Chalaça, ele faz parte da Cia. de Teatro Amandaba e atuamos profissionalmente desde 2008.

Todos sabem das inúmeras dificuldades que existem para se levar adiante uma empreitada teatral em nosso país, você tem recebido algum tipo de patrocínio para o desenvolvimento do projeto?

Costumo dizer que meu grande patrocinador são os amigos que tenho. Eles  acreditam no meu trabalho e me ajudam a vencer os obstáculos da caminhada. Cada parceiro é um aliado importante na minha trajetória artística . Dos apoiadores, alguns são antigos conhecidos, caso da Werner Tecidos e da DeMillus, outros que estão chegando para ficar, tenho certeza. A parte financeira é sempre mais difícil, penosa até. Pelos poderes públicos nunca somos beneficiados. Mas a confiança no espetáculo que tenho nas mãos, na equipe que trabalha comigo, no elenco e no apoio que temos recebido do Museu do Primeiro Reinado-Casa da Marquesa -, dão a medida do sucesso.

Uma vez que é um espetáculo móvel, você tem pretensão em levá-lo para outros espaços? Quais?

Solar da Marquesa de Santos, em São Paulo
Sim. Terminada a temporada no Rio de Janeiro, penso em levar o espetáculo para São Paulo, mais precisamente para o Solar da Marquesa de Santos, que está localizado no centro da cidade, onde ela viveu até sua morte.

Que tipo de público você deseja atingir e qual a sua expectativa em relação a ele?

Pretendo atingir o público jovem principalmente, aquele que desconhece esse episódio histórico  vivido na Cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro Imperial de São Cristóvão, onde está localizado o Museu do Primeiro Reinado- Casa da Marquesa de Santos, um belo exemplar arquitetônico que merece ser visitado, assim como assistir a encenação do espetáculo “Lírios brancos para a Marquesa” , onde parte de sua história vivida pelas personagens Domitila e Pedro I  vão se encontrar no centro dos acontecimentos, todos guiados pelas mãos do Chalaça.

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