"Lírios brancos para a Marquesa", espetáculo teatral que revive os tempos do Brasil Império e leva ao Museu do I Reinado, no Bairro Imperial de São Cristóvão, a influência histórica desta incrível personagem que é Domitila de Castro e Canto Melo, a Marquesa de Santos.

Direção e texto original: Beth Araújo

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O triunvirato


por Beth Araújo, diretora e atriz

A trama orquestrada pelo texto "Lírios brancos para a Marquesa" revela por detrás das portas, das cartas e da poeira do tempo as histórias que o Chalaça leva ao encontro da imaginação de cada espectador. Cartas-mapas apontando caminhos, seguindo a rota do tempo.

Pedro e Domitila coadjuvantes de seu próprio drama. No centro, Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, diabólico criado particular do Imperador. Perdigueiro de belas mulheres, que farejava por becos e ruas escuras para servi-las a seu Rei e Senhor.

Domitila e Pedro um amor em permanente conflito, envolvido por sexo e política, busca desenfreada pelas rédeas do poder. Mesmo considara personagem "de baixo", "das alcovas", retrao desmaiado de uma quase "tragédia tupiniquim", foi Domitila de Catro, "Marquesa de Santos", a favorita do Imperador Pedro I.

A "bela dama de olhos negros" brilhou como um astro luminoso e apagou-se como estrela cadente. Amou e foi amada, apesar do mau jeito e das complexas linhas do destino. No universo da corte e no burburinho do Palácio, o casal viveu dias de glória, risos e lágrimas, sob a proteção de uma criadagem fidelíssima, que parecia tratar das feridas de Domitila com desvelo e compaixão. Ouviam, sabiam e opinavam.

Nos salões luminosos eram cercados de alcoviteiros, de bandos de abutres que diariamente suplicavam dádivas reais. Figuras de carne e osso, hoje no Museu de Cera que o perigoso Chalaça ajuda a manter girando o carrossel dos amantes, cúmplices, emocionados e ainda emocionando.

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